quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

JÚLIA LOPES DE ALMEIDA - A PRIMEIRA ESCRITORA PROFISSIONAL DO BRASIL As mulheres protagonizam a história e algumas são celebradas em seu tempo, mas muito poucas se livram de serem invisibilizadas. Uma delas, que urge resgatarmos é JÚLIA LOPES DE ALMEIDA (1862-1934), uma de nossas mais prolíficas escritoras e considerada como sendo a primeira escritora profissional do Brasil. Júlia escreveu romances, crônicas e poemas, além de ter sido uma voz social ativa e eloquente pela República, pela abolição dos escravizados e pelos direitos das mulheres. Assumidamente feminista, trabalhou como redatora de revistas e jornais como O Paiz. Seus romances eram realistas beirando o naturalismo. Tendo participado ativamente junto a Machado de Assis e Joaquim Nabuco das ações para que fosse criada a Academia Brasileira de Letras, o seu nome constou da lista inicial dos 40 acadêmicos fundadores, mas foi logo extirpado em favor de seu esposo, Filinto de Almeida. A justificativa era a de que a Academia seguiria o modelo francês que apenas permitiria acadêmicos, ou seja, homens. Começava-se aí o projeto de invisibilização da escritora para a posteridade. Detalhe: Em seus estatutos, a Academia Francesa não vedava a eleição de escritoras, embora só viesse a eleger uma delas em 1980, a incontornável Marguerite Yourcenar. Filinto de Almeida, o esposo da escritora Júlia Lopes de Almeida, durante todo o exercício de sua imortalidade na Academia Brasileira de Letras, logo, o resto de sua vida, foi alcunhado de "acadêmico consorte". Pelo menos, isso...
E TOM JOBIM JOGOU A ÚLTIMA PÁ DE CAL SOBRE A MÚSICA CLÁSSICA BRASILEIRA... Ao menos, é o que inferimos na saborosa leitura das crônicas de Júlia Lopes de Almeida para o jornal carioca O Paiz, publicadas entre os anos de 1908 e 1912. Explico-me! Diversamente do que ficou para a posteridade, a música clássica no Brasil não se restringe às composições de Carlos Gomes e de Heitor Villa-Lobos. É muito mais vasta! Elpídio Pereira, Henrique Mesquita e Alberto Nepomuceno são apenas três nomes cintilantes em uma plêiade de Maestros brasileiros com pródigas obras nas quais constam música de câmara, orquestral, óperas, sinfonias, missas, dentre tantas outras a perder de vista. O Instituto Nacional de Música era um celeiro de novos prodígios não apenas na execução, mas na criação a cada "saison". Então, porque concluo que o nosso amado Tom Jobim colocou a última pá de cal nessa festa? Porque Tom, junto a outros gênios musicais brasileiros foram cultivados na música clássica e atravessados por uma música popular de tradição local na qual estavam engendradas as músicas negras e indígenas. Lundus, maxixes e já no século XX, o chorinho e o samba foram, pouco a pouco, construindo algo novo, singular e de beleza única sobre a base clássica e vice-versa: as músicas de base popular negra e indígena foram atravessadas por harmonias da música clássica. Nesse movimento, eu, pessoalmente, enxergo um triunvirato de gênios revolucionários da música brasileira, sem desprezar os demais que fortemente contribuíram para o fenômeno: PIXINGUINHA, ARY BARROSO E TOM JOBIM. Sendo que este último, na junção perfeita entre o clássico e o popular, mudou a música no Brasil para sempre, aposentando a produção de música clássica (que ainda existe, mas não caracteriza a música brasileira) e influenciando tudo o que viria depois e que recebeu o nome de "MPB". Essa que é reconhecida como uma das melhores músicas do mundo e no mundo. A esse triunvirato decisivo que pôs no chão a tradição clássica no Brasil, poderíamos acrescentar o nosso amantíssimo LUIZ GONZAGA. E agora lhes pergunto: Para onde caminha, atualmente, a formação musical dos músicos brasileiros e a nossa genial MPB?