sábado, 21 de fevereiro de 2026
Ala das Baianas
A Ala das Baianas nas Escolas de Samba não são uma homenagem aleatória, mas uma honra a um pressuposto fundamental para que o samba prosperasse. Foram as tias baianas, mães de santo que haviam vindo da Bahia após a abolição da escravatura, que trouxeram para o Rio de Janeiro a tradição das rodas de samba e as promoviam em seus terreiros. Ainda que a execução do samba fosse criminalizada, os sambistas perseguidos e os seus instrumentos apreendidos, as casas das tias baianas eram território neutro, não perturbado pela polícia, uma vez que elas também atuavam como curandeiras, tendo uma das suas pioneiras, tia Ciata, curado o então presidente, Venceslau Brás, de uma grave enfermidade. Essa incolumidade possibilitou que no terreiro de tia Ciata, um casarão que recebia Donga, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres, dentre outros, fosse composto o primeiro samba que viria a ser fonogravado: "Pelo Telefone". As tias baianas, durante o dia, trabalhavam como quituteiras, trajadas com seus turbantes, vestidos brancos, colares e pulseiras, dispondo os seus tabuleiros ao redor da Praça Onze, região onde também moravam, área que ficou conhecida como "Pequena África". Portanto, a Ala das Baianas, cuja matriarca é tia Ciata, é uma homenagem às mulheres sem as quais nenhuma outra Ala de uma Escola de Samba existiria.
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