sexta-feira, 24 de abril de 2026
Quando LIMA BARRETO encontrou FRIEDRICH NIETZSCHE
A história do movimento das ideias no Brasil ainda não foi contada. Não falo da recepção das ideias, mas de contágio, tráfico, regurgitação. Friedrich Nietzsche, o filósofo que exerceu maior influência sobre o pensamento ocidental no século XX, de Heidegger a Foucault, do modernismo ao pós-estruturalismo, apenas foi publicado em português, no Brasil, na década de 1930. No entanto o seu pensamento já era discutido e a sua obra citada, ainda que por um restrito grupo de intelectuais (afinal, para lê-lo e interpretá-lo, havia que se bem transitar na língua alemã) desde a década de 1870 quando o próprio Nietzsche ainda era um jovem Nietzsche aos seus 30 anos de idade. E não é difícil adivinhar que a porta de entrada de Nietzsche ao Brasil foi a Escola do Recife, pelas mãos de Tobias Barreto que o citou em seus trabalhos em 1876.
Pois bem, na leitura do incontornável Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, não apenas o autor cita Tobias Barreto, como, de quando em quando fala em um denodado "super-homem". Na primeira vez que deparei-me com o termo no texto, pensei ser uma mera coincidência, que essa concepção do "super-homem" deveria ter sido corriqueira no alvorecer do século XX. No entanto, ao avançar um punhado de páginas, se havia alguma dúvida, Lima dirimiu-as todas. Nietzsche e a sua obra Assim Falou Zaratustra são citados com todas as letras, assim como a noção do seu "super-homem". Sim, Lima Barreto era um dos poucos leitores de Nietzsche no Brasil nos anos 1900, provavelmente, lia-o em francês. E ao fazer essa constatação podemos ver o quanto a sua obra está atravessada pelo niilismo Nietzschiano e por uma crítica cultural e institucional sem peias...
Lima, Policarpo, Clara, Isaías, juntos na busca de uma identidade nacional, Além do Bem e do Mal...
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