sexta-feira, 24 de abril de 2026
Qual a principal razão pela qual JESUS CRISTO era tão odiado? Porque era, incondicionalmente, BOM.
Os seres humanos, atravessados por suas misérias emocionais, aprendidas e cultivadas durante as suas vidas, em interação com os seus caracteres, tendem a simpatizar com aqueles com quem se irmanem em egoísmo, cupidez, maldade, inveja e perversidade. A simpatia será proporcional ao quanto esses afetos atravessem cada um de nós. Afetos que são forjados, sobretudo, nos complexos de inferioridade.
O psicanalista austríaco Wilhelm Reich no seu livro "O Assassinato de Cristo", sustenta que Jesus foi assassinado porque amava demais. E esse excesso de amor era insuportável para aqueles que não tinham capacidade de amar, encalacrados em suas misérias afetivas e em seus sentimentos de inferioridade. A essa percepção de Reich, eu peço licença para acrescentar mais uma outra: Jesus foi assassinado por ser, incondicionalmente, bom. E ser bom é o maior marcador de superioridade de um ser humano.
A bondade de Jesus era tão genuína e tanta que seus contemporâneos, ressentidos em suas mesquinharias que só se dilatavam em sombras diante de tanta luz, assassinaram-no. Porque há poder em ser bom e só pode ser bom quem tem poder. E em se tratando da verdadeira bondade, poder de caráter. Sim, porque há quem não seja intrinsecamente bom, mas age como se o fora, e isso não é reprovável, tratando-se de uma pedagogia da bondade. E a bondade, também é um marcador social: Não à toa, é caracterizada como um sentimento "nobre". Nobre, literalmente, já que os bons são tidos como oriundos da nobreza e isso desde os gregos.
Em se tratando da bondade cultivada no seio da nobreza real, poderíamos citar o caso da nossa Imperatriz Leopoldina, da Casa dos Habsburgos. Casa que se esmerava para que as suas princesas e rainhas se engrandecessem nas virtudes da bondade e da caridade, marcando-se, assim, as suas superioridades em face de seus súditos. Leopoldina integrava a Ordem da Cruz Estrelada, uma ordem religiosa católica de restrito acesso, na qual eram admitidas apenas princesas, condessas e rainhas. Logo, praticar a bondade seria de poucos, um privilégio, de modo a, através dela, virem a exercer poder. E mais, restringindo-se a essa espécie de bondade, não promover mobilidade social.
Mas, deixemos os Habsburgos em seus palácios e voltemos aos pretensos soberanos, arautos da bondade da nobreza capitalista moderna, para a Casa Branca, mais especificamente.
Há alguns dias o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em disputa de Poder com o Papa Leão XIV, forjou por IA uma ilustração na qual se representava como Jesus Cristo. O intuito era afirmar ser superior e ter mais poder que o Papa, já que, como Cristo, ele seria, incondicionalmente e, absolutamente, bom. E por sê-lo, o mais poderoso dentre os poderosos. Criticado pela profanação, defendeu-se, afirmando o cerne de sua intenção: A de que não era Cristo, mas que, como ele, era bom e tal um médico, detinha o poder da cura.
Trump, como tantos outros, igrejas e religiões, instrumentalizam a bondade de Cristo para, em seu nome, exercerem Poder. E, do alto de suas maldades e sentimentos de inferioridade, serem os senhores das perseguições e das guerras, estranhos a qualquer bondade, continuando a odiá-Lo e a assassiná-Lo a cada dia.
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