sábado, 21 de março de 2026
BREVE SOCIOLOGIA DO FUTEBOL PERNAMBUCANO
E pensar que na virada do século XIX para o século XX, no Brasil não havia samba, nem frevo e nem futebol. Ou seja, três dos nossos maiores patrimônios imateriais, que forjam a nossa identidade, nasceram em terras pátrias junto à modernidade trazidos, a meu ver, por duas fundações primordiais: o fim da escravidão e a revolução industrial.
Portanto, o carnaval e o futebol como os vivenciamos hoje, são filhos do capitalismo industrial instaurado e capitaneado pelos ingleses. Por sua vez, a história do futebol pernambucano traz as digitais da presença das multinacionais inglesas e da sua comunidade no Recife nos albores do século XX, assim como, das reformas urbanas encetadas na cidade nos moldes de Hausssmann em Paris (cujo disparador foi a emulação da modernidade londrina) e de Pereira Passos no Rio de Janeiro, aqui inauguradas com Martins de Barros.
Os primeiros Campos de foot-ball, esporte de origem inglesa como o cricket que aqui não fez muita figura, ficavam no British Club e no Derby. Os times que eram compostos por funcionários britânicos das empresas inglesas como a Great Western e levavam os seus nomes, realizavam os seus "matches" amistosos nesses espaços. Era um esporte da alta elite alienígena, portanto.
Foi quando os filhos da elite da terra que passaram a estudar em Londres, a exemplo de Guilherme Fonseca, ao retornarem, encantados com a nova modalidade desportiva, esforçaram-se por introduzi-la localmente para um maior espectro social.
A primeira tentativa foi a de Fonseca junto ao Náutico, um clube de remo e de elite que não esposou a ideia de adotar o foot-ball como um dos seus esportes de terra. Foi aí que nasceu o Sport Club do Recife em 1905, o primeiro time pernambucano, também originário das elites, já que fundado por Guilherme Fonseca e um grupo de amigos, dentre eles, o prestigiado escritor, Mário Sette. Fiéis às origens do foot-ball, foi adotado o nome para o clube em inglês.
Uma vez que atletas do Náutico estavam indo jogar futebol no Sport, o clube, ainda que continuasse a priorizar os esportes fluviais, houve por bem ter a sua própria equipe de foot-ball em 1909. Iniciando-se aí, a histórica rivalidade entre ambos.
Enquanto isso, durante as reformas urbanas, com o bota abaixo e a expulsão da população mais humilde do centro para as periferias, dado que, para a prática desse esporte não era necessário um grande aporte de recursos como nos casos do remo e do turfe, esse contingente passou a organizar as suas equipes suburbanas, integradas, exclusivamente, por gente da gente, brasileira, pernambucana.
Foi o caso do Santa Cruz Futebol Clube, criado em 1914 por jovens que se reuniam no pátio da Igreja do mesmo nome para conversar sobre as partidas (os matches) e jogar futebol.
O primeiro campeonato pernambucano, cujo vencedor foi o extinto Flamengo do Recife, ocorreria em 1915 com seis equipes, após várias tentativas frustradas de se fundar uma liga de futebol pernambucana. E sem a participação do Náutico e do Sport que apenas em 1916, viriam a se "misturar" com os demais times.
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