quinta-feira, 14 de maio de 2015




brasilianafotografica.bn.br
Marc Ferrez
Interessante como um esmerado e comprometido trabalho de digitalização de imagens, nos remete à importância, ainda, de dispormos de imagens impressas, as imagens no papel “reveladas”. Foi um vasto arquivo de fotografias impressas e resistentes ao tempo que possibilitou a democratização de seu acesso através do mundo virtual, possibilitou a perpetuação da memória. No entanto, as fotos exclusivamente digitais, principalmente as particulares, tendem, paradoxalmente, a se perderem nas “nuvens” de arquivos digitais de computadores e smartphones, frequentemente perdidos, desatualizados, trocados ou jogados fora.
Ao trocarmos rapidamente de memórias virtuais, corremos o risco de ficarmos sem memória…
Mas, são só ilações para parabenizar este trabalho tão primoroso e importante para a memória do que fomos, para a memória do que somos e do que poderemos ser.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

E o maravilhoso site de imagens digitalizadas da Biblioteca Nacional, levou-me (e continuará a me levar rs) a conhecer artistas brasileiros de fins do séc. XIX e inícios do séc. XX que eu desconhecia. Uma foto de 1913 do pintor Antonio Parreiras junto à sua tela recém-pintada "Flor Brazileira", atraiu-me para a sua obra e do pouco que vi, encontrei-a densa, banhada em luz, com traços modernistas pra além de seu tempo!


Flor Brazileira




terça-feira, 12 de maio de 2015

brasilianafotografica.bn.br


Um maravilhoso acervo digital de fotografias históricas brasileiras organizado pela Biblioteca Nacional em parceria com o Instituto Moreira Salles. Dentre elas, uma fotografia do manuscrito de um capítulo da obra-prima "Memórias Póstumas de Brás Cubas" do imenso Machado de Assis!





domingo, 10 de maio de 2015

A mãe deposta:


Herberto Helder in "Fonte"




Ó mãe violada pela noite, deposta, disposta
agora entre águas e silêncios.
Nada te acorda -- nem as folhas dos ulmos,
nem os rios, nem os girassóis,
nem a paisagem arrebatada.
-- Espero do tempo novo todos os milagres,
menos tu.

Corres somente no meu sangue memoriado
e sobes, carne das palavras outra vez
imperecíveis e virgens.
-- Do tempo jovem espero o vinho e o pólen,
outras mãos mais puras
e mais sagazes,
e outro sexo, outra voz, outro gosto, outra virtude
inteligente.

-- Espero cobrir-te novamente de júbilo, ó corola do canto.
Mas tu estarás mais branca com a boca selada
pelas pedras lisas.
E sei que terei o amor e o pão e a água
e o sangue e as palavras e os frutos.
Mas tu , ó rosa fria,
ó odre das vinhas antigas e limpas?

Do tempo novo espero
o sinal ardente e incorrupto,
mas levo os dedos ao teu nome prolongado,
ó cerrada mãe, levo
os dedos vazios --
e a tua morte cresce por eles totalmente.