quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A REVOLTA DA CHIBATA

"GLÓRIA A TODAS AS LUTAS INGLÓRIAS QUE ATRAVÉS DA NOSSA HISTÓRIA NÃO ESQUECEMOS JAMAIS..." Ler as crônicas de Júlia Lopes de Almeida é quase como estemunhar fatos pulsantes da história do Brasil em tempo real. Acontecimentos que abalaram a incipiente e trepidante República brasileira no alvorecer do século XX e que desafiaram, não apenas as instituições, mas a paz nacional. Se uma boa parte das rupturas na formação do país foram concertadas pelas elites, seja a independência, seja a abolição da escravatura, seja o golpe militar que levou à proclamação da República, a chamada REVOLTA da CHIBATA de 1910, um movimento de marinheiros, em sua franca maioria, pretos e pardos, liderados pelo, também marinheiro, João Cândido, desmentiu o que ainda se podia acreditar acerca da docilidade e conformismo dos negros brasileiros. Sabemos que a Lei Áurea aboliu a condição jurídica de escravizados, alçando os libertos ao status de pessoas, no entanto, muito pouco ou quase nada aboliu em torno da exclusão social e das práticas de violência infringidas ao povo negro. Os marinheiros integrantes das Forças Armadas, de maioria negra, como o dissemos, rebelaram-se contra os castigos cruéis que sofriam de seus superiores brancos nos mesmos moldes daqueles de quando eram escravizados: Sendo chicoteados publicamente aos olhos de seus companheiros. Para exigirem o fim das iniquidades, posicionaram os três, então, mais modernos navios de guerra brasileiros com os seus canhões voltados para a Baía da Guanabara e ameaçaram reduzir a cidade do Rio de Janeiro a pó. Durante três dias, a capital federal esteve conflagrada e houve confronto e houve desespero e houve mortes.Até que o líder da rebelião, que viria a ser alcunhado de "Almirante Negro", foi preso e logo após, a fim de evitar-se uma escalada bélica incontornável, anistiado junto aos demais amotinados. Ademais, foram extintos os castigos corporais. Foi essa a estratégia do parlamento e do Presidente da República, à época, Hermes da Fonseca. No entanto, a anistia era uma farsa, pois, um sem número de revoltosos foi assassinado ou enviado para trabalhos forçados no cultivo de borracha no Norte do país. Sendo que, desses últimos, muitos foram lançados ao mar, não chegando aos seus destinos. Barbáries que se perpetuam, que atrasaram e atrasam o Brasil a chegar ao seu destino de, finalmente, ser uma Nação...

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