sexta-feira, 17 de abril de 2015

Primavera (Mário Quintana)

O manto
da primavera ondula tanto
que mal se pode ver a libélula translúcida

ou dar nome à pequenina asa arrebatada úmida
à água em redemoinho onde roçara
o voo diagonal

nem distinguir as cores
das flores da margem porque tudo
está bordado no vento

Henri Matisse
e só a luz
direta e reta
conta as inquietas borbulhas à tona
e as pedras redondas do fundo do arroio.

O poeta
adolescente
varado de súbito amor
inventa um bandolim de azul e de cordas de vento

e canta! Nas varandas rendilhadas
suspiram mil e uma princesas encantadas...
O vento vai virando as páginas,
A partitura está em meio...

É quando
A tarde é uma pantera atrás das venezianas
E a mão desnuda o seio...

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